Misoginia: sentimento de repulsa, ódio ou aversão às mulheres. É a raiz da violência contra elas.

Aqui, vamos entender de onde a misoginia vem. Como ela é reforçada pelo conceito Red Pill na Internet, por que devemos combatê-la e criminalizá-la. Vem com a gente.

RED PILL?

Misoginia: sentimento de repulsa, ódio ou aversão às mulheres. É a raiz da violência contra elas.

Aqui, vamos entender de onde a misoginia vem. Como ela é reforçada pelo conceito "Red Pill" na Internet, por que devemos combatê-la e criminalizá-la. Vem com a gente.

“Red Pill” não é apenas um grupo de “mentores” da misoginia na internet, misturados a tantos outros conceitos. Trata-se de uma influência que se espalha com rapidez, valida o machismo estrutural e molda comportamentos. 

A série “Adolescência”, sucesso do streaming, tocou exatamente no ponto de como essas comunidades impactam meninos em formação e geram violência.

O conceito “Red Pill” promove uma ideia de masculinidade baseada em controle, ressentimento e dominação, onde mulheres deixam de ser pessoas e passam a ser vistas como ameaça, manipulação ou algo a ser conquistado e controlado.

Disfarçada de ‘despertar’, essa narrativa legitima a desumanização feminina e reforça uma lógica perigosa: a de que homens precisam retomar poder sobre mulheres.

Mais do que um discurso, essa influência valida e alimenta uma estrutura que normaliza a violência e, em sua forma mais extrema, sustenta uma cultura de morte.

O nome “Red Pill” vem da pílula da verdade, inspirados em filmes de ficção. Para nós, não. Para nós, o “Red” é do sangue que esses cidadãos carregam nas mãos.

O caminho da morte

De menino inocente a feminicida. Eles não nascem agressores, tornam-se. 

Passe o mouse pelo mapa e acompanhe abaixo como formamos agressores, num passo a passo que vai da mesa de jantar, passa pelo “Red Pill” e resulta em morte.

como chegamos tão longe?

Nenhum feminicídio é um ponto fora da curva. É o resultado previsível de uma estrutura que foi construída, validada e ignorada por tempo demais.

Legislação

O que a sociedade não condena, ela permite. E o que a lei não reconhece, continua acontecendo.

Legislar é dizer, de forma clara: isso não é normal, isso é violência e não será mais tolerado. Mas nenhuma lei se sustenta sem pressão social.

Mudar a cultura e mudar a lei precisam acontecer juntos.

Conheça alguns projetos de lei já tramitando no legislativo e que pretendem criminalizar a misoginia, tornando a nossa sociedade capaz de denunciar e derrubar criadores de conteúdos que matam.

os números

Você quer os números da pesquisa completa realizada pela Hibou Pesquisas e Insights?

abaixo-assinado

A violência contra a mulher não é inevitável, ela é tolerada. Este abaixo-assinado é um chamado da sociedade civil para transformar indignação em ação. Para dizer, de forma clara, que a misoginia não pode mais ser normalizada, ignorada ou relativizada.

o que queremos

CRIMINALIZAÇÃO DA MISOGINIA

Que o ódio contra mulheres seja reconhecido como violência e tratado com o mesmo rigor legal aplicado a outros crimes de ódio.

ENFRENTAMENTO AO DISCURSO DE ÓDIO “RED PILL”

Que conteúdos que incentivam controle, humilhação e violência contra mulheres deixem de ser tratados como opinião e passem a ser responsabilizados como discurso de ódio, por meio de um pacto entre governo e sociedade civil para que esses conteúdos que incitam violência não sejam normalizados.

POLÍTICAS PÚBLICAS EFETIVAS


Que o enfrentamento à violência contra a mulher deixe de ser reativo

e passe a ser preventivo com educação, responsabilização e ação contínua.

Mudanças reais não acontecem sozinhas. Elas são pressionadas:

Se preferir, escaneie o QRCODE ⬇️

Campanhas e conteúdo

Combater a violência contra a mulher exige informação, ação e continuidade.

Nesta seção, você encontra campanhas que já estão fazendo a diferença e conteúdos que ajudam a ampliar essa transformação.

Entre eles, materiais práticos como o guia para escolas, pensado para agir onde tudo começa: na formação.

Serviços de reflexão e acolhimento

Homens

Se as páginas anteriores mostram como certas ideias de masculinidade se enraízam cedo, atravessam a formação dos meninos e encontram reforço em narrativas contemporâneas de ressentimento e poder, então também fica evidente que romper esse ciclo exige mais do que diagnóstico. Exige movimento. Desconstruir o que foi aprendido e muitas vezes premiado socialmente não é simples, nem imediato. Implica coragem para questionar referências, rever privilégios, encarar vulnerabilidades e reconstruir a identidade masculina em bases menos violentas e mais conscientes. Para muitos homens, esse caminho começa quando encontram espaços onde podem refletir, ouvir, falar e se responsabilizar sem recorrer a antigas armaduras. A seguir, reunimos algumas iniciativas que se dedicam, justamente, a sustentar esse processo de revisão, autoconhecimento e transformação do masculino.  Se você conhece outros projetos e ações de acolhimento, entre em contato com a gente para incluirmos aqui em nosso canal.

Conheça, participe e seja um agente da nossa mudança.

Mulheres

A mulher no Brasil sofre violência psicológica, patrimonial, vicária, violência física e muitos outros tipos de abuso, dentro e fora de casa, como resultado de uma estrutura patriarcal que a diminui, desumaniza e deslegitima. A mulher brasileira compõe uma estatística macabra. Uma mulher é vítima de feminicídio a cada 5 horas no Brasil (Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2025). Enquanto levantamos questionamentos entre os homens para que eles tomem parte na mudança de dentro pra fora, mulheres continuam precisando de ajuda. Se você conhece outros projetos e ações de acolhimento, entre em contato com a gente para incluirmos aqui em nosso canal.

Trazemos aqui algumas opções de acolhimento e apoio. Acesse e busque ajuda.

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APOIO

Uma plataforma dessa magnitude não se faz sozinha. O time Fresh PR fez tudo acontecer. Mas sem esses parceiros, a iniciativa Red é de Sangue não estaria de pé:

A iniciativa “Red é de Sangue” tem o apoio institucional de parceiros como Hibou Pesquisas e Insights, Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União); Delegada Rosmary Corrêa (criadora da primeira Delegacia da Mulher do Brasil e atual Presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina); Thaís Ferreira (Vereadora e autora da lei do Dia do Combate à cultura incel); e Felipe Ferronatto (doutor em psicologia clínica e criador de conteúdo contra misoginia com base científica).

PARCEIROS

Quer falar com a gente?

E-mail:
redsangue@freshpr.com.br

Siga a gente no Instagram! @redsangue

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Nível 1 - A Escola do Machismo

É na infância que meninos têm o primeiro contato com o que significa “ser homem”. Antes mesmo de qualquer consciência crítica, primeiro dentro de casa, e depois na convivência social, eles absorvem falas, comportamentos e expectativas que definem papéis: o que podem sentir, como devem agir e como devem se relacionar com meninas. Esse aprendizado inicial, naturalizado, começa a moldar uma identidade onde o masculino é associado ao poder e o feminino à limitação. A Influência paterna na visão de mundo dos filhos é poderosa. Crenças de superioridade masculina são transmitidas de forma silenciosa e natural. Depois, eles aprendem por observação de outras figuras masculinas valorizando dominância e agressividade, e assim, passam a interpretar essas características como naturais do “ser homem”.

  • No ambiente doméstico:
      • Divisão sexual do trabalho: meninos são servidos pela mãe/irmã e poupados de tarefas domésticas. “Isso é coisa de mulher.”
      • Desvalorização do feminino: frases como “isso é coisa de mulherzinha” (quando chora ou demonstra afeto), “parece uma menininha” como xingamento em situações cotidianas.
      • Dupla moral sexual: o menino é incentivado a “pegar geral” (futuro “garanhão”), é acobertado pela família quando trai ou mente para meninas. Enquanto as meninas da casa são vigiadas para serem “comportadas”, “não falar palavrões”, “sempre sorrir”.
  • No ambiente escolar e social:
    • “Menino chateia quem gosta”:
      Normalização da ideia de que agressividade e perseguição são formas de demonstrar afeto. O menino puxa o cabelo, esconde o material, derruba a menina no recreio, mas tudo isso é porque ele “gosta dela”.
    • Interrupção e silenciamento:
      Meninos são ensinados a falar mais alto, a interromper e a desconsiderar a opinião feminina desde cedo.

Nível 2 - A reprodução e a validação entre pares: a entrada dos Red Pill

Os ensinamentos da infância são agora praticados e validados pelos pares, criando a identidade do “macho”. A adolescência é o momento crítico para formação dessas crenças. A formação de valores sobre gênero acontece, principalmente, durante a infância e adolescência, períodos em que jovens passam mais tempo em contato com a família e sozinhos na internet. Eles estão consolidando sua visão de mundo. Por isso, crenças sobre masculinidade aprendidas nesse período podem permanecer por toda a vida, influenciando relacionamentos, atitudes sociais e comportamentos futuros.

  • Cultura do estupro velada na escola, faculdade:
    • “Ela pediu”: justificativas para o assédio baseadas na roupa, no local, na condição momentânea, ou no comportamento da mulher.
    • “Amizade” com benefícios unilaterais: a objetificação da mulher como meio para um fim (sexo), com descarte emocional após o uso.
  • Validação coletiva e a entrada dos Red Pill:
    • As “diversões” em grupo: compartilhamento de fotos íntimas sem consentimento (“vazaram nudes”), piadas e comentários depreciativos em rodas de amigos.
    • Iniciação em fóruns e comunidades online: o jovem encontra o conceito “red pill”, que “valida” cientificamente (de forma distorcida) seus sentimentos de rejeição e raiva, transformando frustração em ódio doutrinário. O discurso de “mulheres são todas iguais” e “o feminismo destruiu a família” encontra aqui seu berço.
    • A violência psicológica frequentemente normalizada: muitos comportamentos abusivos como controle, desqualificação emocional e manipulação são normalizados na dinâmica dos relacionamentos. Eles passam a ser reconhecidos como problemáticos quando nomeados como “relacionamento tóxico” ou “violência psicológica”, problematização que também já encontrou seu espaço na internet, mas a desconstrução da masculinidade não se convencerá através dos discursos das vítimas.


    • As redes sociais se tornaram um espaço de disputa sobre o que significa ser homem: de um lado, discursos que reforçam controle, dominação e desprezo pelas mulheres; de outro, conteúdos que buscam conscientizar e identificar comportamentos abusivos. Poucos conseguem absorver diferentes pontos de vista do que já foi enraizado. O discurso Red Pill é muito mais validador e confortável.

A linguagem das redes transforma experiências pessoais em consciência coletiva: um homem machucado cria narrativas pseudo-científicas misóginas para generalizar vivências e assim, propaga crenças ainda mais contundentes sobre a submissão feminina.

Nível 3 - Homem na prática: controle e opressão naturalizados

“Os meninos cresceram e os homens que eles se tornaram praticam violências sem sequer reconhecerem como violência. Tudo foi moldado, desde a infância, por um modelo de masculinidade baseado em controle, insensibilidade e dominação. Falar para eles ‘vocês estão nos matando’ não surte efeito. É como tentar explicar a água para quem sempre viveu submerso: não há percepção de limite, porque aquilo que violenta também parece natural.

Enquanto esse ideal de ‘ser homem de verdade’ continuar sendo transmitido às novas gerações, teremos adultos reproduzindo violência sem sequer perceber. O que não é reconhecido como violência por quem a pratica, nunca será interrompido.

E é aqui onde a teoria encontra a prática: o que antes era apenas uma visão de mundo e reprodução de discurso sobre superioridade masculina e manipulação feminina agora se transforma em ação e estratégia concreta dentro dos relacionamentos.

  • Violência psicológica e controle:
      • Gaslighting: fazer a mulher duvidar da própria sanidade e percepção da realidade (“isso nunca aconteceu”, “você é louca”, “você está exagerando”).
      • Controle financeiro e de comportamento: ditar como a parceira deve se vestir, com quem pode falar e como deve gastar seu próprio dinheiro.
      • Isolamento: afastar a mulher da família e dos amigos, tornando-a dependente emocional e social do agressor.
  • Violência verbal e moral:
      • Xingamentos que atacam a dignidade e a honra, sempre ligados à sua condição feminina (“vagabunda”, “puta”, “frígida”, “louca”, “burra”).
      • Humilhação em espaços públicos e privados.
  • Violência patrimonial:
    • Destruir objetos da mulher, documentos, roupas. Qualquer coisa que tenha um valor sentimental ou material para ela.

 

Nível 4 - Agressores e feminicidas

Até aqui percebemos que no ponto de vista desses homens, não existe violência, existe apenas o “jeito de ser homem”. O controle, a desqualificação, a imposição de poder não é percebido por este homem como agressão, mas como comportamento natural, quase instintivo. O repertório de naturalização da violência virou combustível em discursos de ódio nas redes sociais. Não por acaso, 61,1% dos homens acima de 18 anos afirmam já ter ouvido falar de comunidades como “Red Pill”, “Incel”, ou similares: espaços onde a suposta superioridade masculina e a desconfiança em relação às mulheres foram sistematicamente ensinadas e reforçadas.

E aí, a violência chega ao extremo de agressões físicas e feminicídio. Para os homens, não existe outra escolha, porque, ao longo do seu caminho de vida, a mulher já foi sistematicamente desumanizada. Em cada olhar de controle, em cada palavra de humilhação, em cada crença de que ela lhe pertencia. Nada do que foi descrito anteriormente é percebido como violência. Tudo foi naturalizado.

Este é o estágio final, onde todo o ódio, controle e desumanização construídos nos níveis anteriores se materializam no ato extremo: matar uma mulher.

  • O feminicídio pode assumir várias formas:
    • Íntimo: cometido pelo parceiro ou ex-parceiro, motivado pelo sentimento de posse (“se não é minha, não será de mais ninguém”).
    • Por ódio ou desprezo: contra uma mulher desconhecida, simplesmente por ela ser mulher. É a materialização do ódio difuso que foi cultivado.
    • Por associação: contra uma mulher que está no “caminho” do agressor (ex.: mãe que tenta defender a filha).

*Pesquisa Hibou Combate à Misoginia – mar 2026; XXXXXXXXXX

PL 890/2023

O PL 890/2023 é um projeto de lei federal, de autoria da Câmara dos Deputados. Ele busca criminalizar de forma mais incisiva as práticas misóginas, reconhecendo a
gravidade específica desses crimes.

Ele já foi aprovado em uma comissão importante, mas ainda precisa passar por outras etapas antes de se tornar lei.

PL 896/2023

O PL 896/2023 é um projeto de lei federal, de autoria do Senado Federal.

Ele propõe incluir a misoginia na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989) , tornando o ódio contra mulheres crime inafiançável e imprescritível. Já foi aprovado na CCJ do Senado, mas está em análise na Comissão de Direitos Humanos devido a emendas apresentadas.

Foi aprovado no Senado. Falta Câmara dos Deputados e depois sanção da presidência.

Semente de Mudança

A campanha Semente de Mudança é uma iniciativa de conscientização e mobilização social pelo fim do feminicídio. Ela utiliza símbolos simples, como o lápis com sementes, para estimular reflexão, educação e engajamento coletivo. A proposta é mostrar que a transformação começa em pequenas ações, capazes de gerar impacto duradouro na sociedade. Ao plantar a semente, planta-se também consciência. A campanha reforça que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas estrutural. E que só será enfrentada com participação ativa de toda a sociedade.

Homem Autêntico

O “Homem Autêntico”, conduzido por Ahanti, onde homens interessados em autoconhecimento e transformação pessoal encontram diferentes formatos de acolhimento e desenvolvimento para ampliar consciência emocional, propósito de vida e qualidade nas relações. Entre os serviços oferecidos estão grupos reflexivos online (incluindo encontros exclusivos para homens), mentorias individuais personalizadas, workshops presenciais, cursos online e retiros de homens imersivos na natureza. Esses espaços são pensados como ambientes seguros para que homens possam falar sobre emoções, propósito, relacionamentos, sexualidade e desafios profissionais, praticando meditação, respiração consciente e exercícios de presença para desenvolver maturidade emocional e alinhar vida pessoal, afetiva e profissional.

Grupo Memoh

O MEMOH é um ecossistema de educação e conteúdo que tem como propósito mobilizar homens para a equidade de gênero por meio do debate de masculinidades. Uma das formas de atuação é oferecer aos homens a possibilidade de refletirem, em conjunto, sobre suas questões e comportamentos, fazendo com que assumam responsabilidades e se impliquem no processo de transformação social.

A atuação acontece por meio de grupos reflexivos (inscreva-se aqui), formações e projetos em empresas e instituições, além da produção de conteúdo que amplia o debate público.

Ao criar espaços seguros de escuta, diálogo e responsabilização, o MEMOH contribui para a construção de relações mais conscientes e igualitárias na sociedade.

MuRA
(Mulheres em Relações Abusivas)

O projeto MuRA desde 2018 acolhe mulheres gratuitamente, quinzenalmente e de forma online em terapias em grupo de até 10 pessoas por sessão, com a mediação dos psicólogos voluntários Heloisa Schauff e Reinaldo Renzi. Criado por Bia Schauff, a iniciativa já ultrapassou a marca de mais de 300 sessões oferecidas e muitas mulheres que conseguiram sair de relações de violência. Durante as semanas que não há sessão, as participantes podem compor grupos de WhatsApp para trocarem experiências e apoio mútuo. Uma grande corrente que muda vidas. Quer fazer parte? O primeiro contato pode ser feito via DM.